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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Fanatismo ateu


O mesmíssimo procurador de Justiça que anos atrás investira contra os crucifixos em repartições públicas resolveu agora ir ainda mais longe: ele quer arrancar das notas de real a expressão “Deus seja louvado”.
O tortuoso raciocínio com que justifica esse último frenesi antirreligioso é digno de nota: diz ele que escrever “Alá seja louvado” ou “Oxóssi seja louvado” seria percebido como ofensivo. Aparentemente não é justiça que ele procura, mas chifres em cabeça de cavalo. “Deus” é um termo genérico, não um nome próprio. Para seus devotos, Oxóssi é um deus.

É exatamente por ser genérico que ese termo está no preâmbulo da Constituição, diga-se de passagem. Se se pergunta a um adepto de Alá quem ele é, a resposta é “Deus”. O equivalente a “Alá seja louvado” seria “louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo”. E, mesmo assim, esta expressão não seria ofensiva, devido às leituras diversas que dela seriam feitas. Afinal, uma maioria esmagadora da população a perceberia como “louvado seja o Bem-em-Si”, mesmo que não concordasse com a doutrina cristã.
Estado laico não é nem pode ser sinônimo de Estado ateu. O ateísmo é uma espécie de religião por oposição, com dogmática própria (“Deus não existe”, “tudo é devido ao acaso” etc.) e até mesmo alguns devotos, dentre os quais aparentemente o procurador de confusão em questão.
Um Estado ateu, como o finado Estado soviético, não é capaz de tolerar religiões concorrentes. Sente-se ofendido por sua presença pública. Não percebe que sem amor a Deus não haveria sequer ordem social, que dirá Estado. Não é a existência da polícia – que não é onipresente – que faz que a imensa maioria da população não roube nem mate, mas o respeito aos mandamentos, a percepção de haver uma ordem moral maior. A mesma percepção, aliás, que levou à inclusão de uma menção perfeitamente genérica a Deus no preâmbulo da Constituição.
Se perguntarmos ao acaso nas ruas o que é Deus, teremos respostas de todos os tipos. Algo, porém, uma maioria acachapante das respostas teria em comum: a percepção de uma ordem maior. A recusa de se submeter a uma visão de mundo tacanha o bastante para se convencer de que na biologia se encerra o sentido da vida. A existência de um parâmetro de conduta que, se fosse universalmente seguido, deixaria desempregados os procuradores de Justiça; um parâmetro cujo pálido reflexo encontramos nos diplomas legais.
Negar a Deus não é procurar justiça; é negar a existência da própria Justiça, fazendo dela apenas outro nome para o arbítrio.

Carlos Ramalhete

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